O lado obscuro de uma juventude

8.6.13




Durante o dia ele é um rapaz comum, no auge dos seus 18 anos gosta de acordar tarde, ouvir musicas e durante a tarde vai a escola . Por volta das 18h volta para casa e dá inicio a sua outra rotina rotina, Lucas Gomes, após uma dia tranqüilo dá lugar ao travesti Paola Bracho; é com esse nome que trabalha nas avenidas badaladas de Montes Claros como garoto de programa. Aos 11 anos Lucas percebeu seu interesse por pessoas do mesmo sexo, mas até hoje, 7 anos após decidir-se, como ele mesmo diz, não assumiu publicamente para sua família sua homossexualidade.
A cerca de 2 mêses atrás, a vida se transformou de maneira drástica, Lucas é de um município pequeno e com poucas perspectivas de desenvolvimento, segundo ele seu desejo é crescer e não ter que depender de seus pais, que diga-se de passagem, são pobres e não podem lhe ajudar muito nos vários planos que pretende realizar. Lucas veio morar em Montes Claros para tentar mudar de vida, mas influenciado por um amigo foi parar as ruas e passou a vender seu próprio corpo. Anos atrás, aos 14 anos, Lucas já havia se prostituido em uma viajem a Belo Horizonte, foi aliciadora pela sua própria irmã, garota de programa desde os 10 anos de idade.
Lucas viveu toda infância dentro da igreja, vem de uma família evangélica e com hábitos conservadores, jamais entenderiam sua escolha , mas esconder a opção sexual da sua família não torna mais fácil sua vida, afinal a sociedade está ai, e quando perguntado sobre como se sente visto por eles, Lucas é enfático: “a sociedade é muito critica, é tudo muito difícil para nós”.
Atualmente Lucas mora em uma casa situada na periferia da cidade, e paga um valor de R$10,00 por dia para se hospedar, a dona da casa é a mesma que Lucas denomina como “A dona da rua”, ele é obrigado a pagar tributos a essa mulher que se diz dona da esquina onde ele se estaciona para espera os seus cliente, além de tudo ainda tem que comer em restaurante, pois a casa onde está morando não lhe oferece comida. A despesa fica em torno de R$ 30,00 diariamente, a conta mensal ultrapassa um salário mínimo. “ É muito caro pra mim, então, se eu não vier para a rua batalhar como vou comer e como vou dormir?”. Diferente do que muitos pensam, nem todos estão nessa vida porque é um meio mais fácil de ganhar dinheiro, Lucas diz nunca ter usado drogas, mas também não tira o direito de quem usa, pois para fazer esse serviço não dá para estar em sã consciência, por isso o copo de vinho está em sua mão todo o tempo. Talvez se ele não tivesse optado por sair de casa e ir em busca da sua liberdade, as coisas não teriam tomado esse rumo, mas para ele a liberdade é o mais importante, melhor até que o conforto de casa.
Quando ele fala sobre suas histórias e seus medos seus olhos chegam a marejar, mas ele é um homem forte e guarda seus sentimentos somente para ele, confessa que chora em seu quarto quando acorda e lembra que aquele dia será mais um dia de trabalho duro. Lucas estudou até a 6º serie e hoje faz um curso incentivado pelo governo chamado “Vira vida”,destinado a dependentes químicos e prostitutas, mas não demonstra tanta esperança já que “o mercado de trabalho infelizmente é muito preconceituoso, quando descobrem que a pessoa é gay ou travesti sempre inventam algum motivo para não contratar.”
Lucas veio atrás de sua independência, mas do modo em que está vivendo está longe dela, se sente acuado e preso ao desejo dos outros, destinado apenas a satisfazer as pessoas enquanto tudo desmorona dentro dele “Já entrei em depressão tomei vários remédios, tentei me enforcar, meu pai tirou meu pescoço da corda quando eu já estava quase sem vida. E ainda hoje quando acordo sinto vontade de morrer.” Seu atual trabalho não tem lhe feito muito bem, mas sem recurso para começar a mudança também fica difícil sair dele.
Ele não congita a idéia de voltar para casa, mas também não quer continuar nessa vida, tem sonhos e faz planos, quer entrar para a faculdade de direito, ter filhos, constituir uma família e ser feliz, mas por enquanto Paola precisa ser incorporada todas as noites, afinal Lucas tem contas a pagar.

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Perfil escrito por mim para apresentação na disciplina de Tepej do curso de jornalismo. O que levei neste trabalho? a consciência de que  é necessário aprender a ver o lado do outro, muitas vezes as pessoas aparentam estar bem, mas é possivel que se interior esteja em guerra.


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